Se me desses a mão
neste nosso abismo
sei que as estrelas desceriam à terra - fizemos um acordo: construo
só para te ouvir cantar um foguetão feito de nuvens e sonhos em troca das suas
visitas
sei que elas se afundariam
nas ondas dos teus cabelos
e que o teu sorriso teria a sua luz
Se o teu coração fosse pássaro
pedir-lhe-ia para esquecer as estações
e para que construíssem ninhos
até nos lugares mais recônditos e
profundos - uma expedição, tipo Júlio
Verne,
ao centro da terra interior com
direito a combates com monstros
em que cada vitória nasceria, até
mesmo, da derrota.
Se o mundo te negasse o amanhã
por quereres crescer demasiado depressa
e as garras de máquinas duplicadoras
te quisessem moldar e escravizar
e te tornasses numa bailarina de chumbo
com um coração ferido e bandido a prémio
se te quebrassem as asas
se te tirassem o céu
se o chão fundo de espinhos
e veias de lava
te ferisse os pés
e as mãos calejadas de pedras
te mutilassem a língua dos dedos
e as lágrimas secassem na fonte
se o teu maior inimigo morasse em ti
que te diria eu?
que posso dizer do mundo - que
te pode dizer o mundo? Tanto. Escuta.
que na órbita do teu nome
já não tenhas visto?
que te posso dizer da vida -
que te pode dizer a vida? Tudo o que ainda há
que já não tenhas sentido? para sentir
que te posso dizer da morte, - nada
que te deseje: não desejo nada que te
da angústia, do desespero, asfixie de tal forma que te mate os sonhos
da loucura, da dor, do cinismo,
da hipocrisia, da perda da inocência?
- que a bruxa dos dentes te arranque um
dente por cada asneira grave que faças
(daquelas que demoram uma eternidade
a cicatrizar e que te tornam mais amarga
que um citrino verde) Não me obrigues a
comprar-te uma dentadura postiça pelo
Natal.
és invencível no teu mundo
é tudo tão tentador
a droga da mentira é viciante
que posso fazer se te perderes
num rumo incerto?
- jovens em risco = adultos em risco de serem
fulminados por um raio de "morte precoce"
abro-te um refúgio:
Perde-te Encontra-te
perde-te, sem te perderes
aos olhos de uma mãe:
perde-te, sem te perderes
Ao pássaro sem estação
“a monte”
algures entre viagens
de Sinbad
o marinheiro.
© Sofia Santos
Sem comentários:
Enviar um comentário