O problema era não conseguir chegar às lâmpadas porque sempre me
surpreendiam pelo brilho e ainda mais se piscas, ainda pior porque não havia
interruptores, nem botões e mãos invisíveis e o comando da iluminação nas mãos
do Deus Menino, brincalhão, com ele escondido entre as palhinhas enquanto Reis
o visitando entregando-lhe coisas entre mãos, metidas em jarras lustrosas e lá
fora frio, cheiro a caruma queimada, pinho, rama de oliveira e troncos de
oliveira, tudo aos estalinhos porque na gruta o Salvador, enquanto à lareira
sapatos ausentes de pés, gente e meninos aguardando as surpresas da manhã ou
tantas vezes a falta delas e lá fora ainda frio, uma estrela que implorou que a
amparassem na queda enquanto indicava o caminho para a Terra, o presépio na
gruta, não uma gruta mas um estábulo porque nele um burro e uma vaca, ou uma
vaca e um burro, enquanto em Roma, Bento define a a ausência dos animais da
gruta porque sem animais já não um estábulo mas presépio e se presépio, ainda
presépio, ainda Natal, ainda gente de mãos ao pescoço segurando cachecóis,
caminhando curvadas no escuro da noite, buscando a luz na Igreja enquanto nela
os galos desafiam o breu, cantando Hossanas de bicos e penas ao Menino que nas
palhinhas segura o interruptor que liga e desliga as lâmpadas enquanto comunica
com o seu Pai e me surpreende ainda hoje pelo seu poder de chegar e dominar as
piscas lâmpadas!
© António
Luís

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