Em silêncio
Céu ouve as estrelas...
Céu
nasceu
com asas
de
pássaro e
coração de noite
sua alma são
estrelas constelações de sonhos em ebulição
luar com fios de ouro incenso
gengibre e canela
unicórnios prateados e luz coração
suas asas e dedos energia vital
beijam a tela do
infinito.
com gotas de seda celeste
veste anjos despe pele
e nuvens - reluz ?
piratas
- seduz ?
é
nau
* nua a navegar no vácuo
(de) cadente
em silêncio
abraça a sinfonia de cores e sons
que emana dos corpos celestes...
e sonha feliz...
* (estrela)
Em resposta:
À Céu
há quem diga que
Céu é comunista charlatão
Travesti curva de vodka
de saia alçada ao vento
de membro viril calculista
subornada por copeques e
ramos de vulvas sebáceas
a tresandar pólipos de alcatrão.
há quem rumine
maldizente
que Céu é
Peixe-diabo ao leme
com ranho nas
guelras
perneta,
zarolha, trompetista
cobra cuspideira
sem razão.
há quem a
compre retalhada
às gueixas de
sombrinhas
com
preservativos feitos de tripas
cimento
adonisado leve e boi anão.
(ausência: a
vaca branca como a neve)
há quem a tenha fodido
sem eira nem beira
no descampado de um abrigo
e nem os gemidos de dor
causaram lágrimas sustenido.
há quem a tenha querido
ternamente e docemente
ligada a modo
on puta segura
off cabrão dormente
pause brochista “morde-cura”
há quem lhe tenha cheirado
a morte amorfa mula calcária
a tresmalhar de vertigem arterial
desmaiada violada de fado
a parir corvos e laranjas sem caroço
diarreias de ossos e febre anal.
há quem diga que se lambe
à meretriz
e que tira macacos do nariz
(e têm toda a razão!)
há quem lhe tenha espetado
agulhas em línguas de trapos
a montar de derrame súbito
andarilhos de estrume
artefactos
- desvirtualizantes naturais
em mar de libélulas de sangue
fuziladas por cardumes de peixes-panteras
e um sem fim de animais
há quem a anteveja de nojo vendido
a rifar seringas- ligas de letras estufadas
no mercado negro das estrofes em fuga
lugar de marinheiros tatuados a primor e
varinas vaginais rítmicas a sonhar o amor.
há sempre
alguém que não tem
pão a prémio
na mesa a segredar
livros de
escamas a suar soluços
e a respirar
vírgulas trinca-espinhas.
esqueletos
pilhados e rosas apodrecidas
sob barris de
banha e buços
num desgosto a
contragosto
numa janela
fingida de bruços.
há a mágoa que não mente
o céu na Céu que a abraça
e o tempo a murmurar-lhe ao ouvido dos sonhos:
- és a estrela que tudo sente.
© Sofia
Santos

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