segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Tempestade



Durmo aos cochichos,
Como gotas de água irritantes
Que C
           A
               E
                      M    inquietantes
De uma torneira qualquer,
Tal tortura chinesa…

Numa tentativa falhada,
Dou meia volta na cama
(ou no que a tem substituído…
…É melhor para o meu ouvido).
Mas hoje não resulta
Pudesse eu aplicar ao tempo uma multa
Por passar tão depressa.

Amanheço com louça partida dentro da minha cabeça…
… incriminada por dois montes de pelo,
… um quarto que também já foi meu…

… Voltará a sê-lo?

… uma bomba salva vidas,
Numa gaveta cheia de surpresas escondidas.

No céu brilha o sol…
Dentro de mim aproxima-se uma tempestade…
… de insanidade
(para alguns),
De reflexão para alguém…
Quem?
De Crescimento…
(1, 67m não chega?)
Para os que acreditam que sou mais
Do que rompantes momentos,
E que no copo da minha vida
Cabem muitos sentimentos…
Gente ingénua!
Será?...
Sei-me num turbilhão
De ideias,
Num remoinho ladrão
De sorrisos,
Numa tempestade
De mentiras 
e de verdades…

© Alexandra Sousa

1 comentário:

  1. Todas as manhãs são (im)perfeitas.
    Os enganos não são certezas.
    Os gatos correm pelos sítios.
    Chamamos-lhe "nossos", aos sítios e aos bichos.
    Os gatos sem culpa.
    A "dona" nos cochichos do sono também.
    A manhã sai aos tropeções, nos móveis, nos objetos e nas palavras que o cérebro não filtra e mal concebe.
    Mas a manhã não retira a esperança que o resto do dia possas ser melhor.
    Cabe a nós ter vontade de o fazer melhor, mesmo que, olhando para o copo, esteja meio cheio ou meio vazio, tenhamos a capacidade de lhe acalmar as águas de turbilhão e, no afã da sede, beber água, respirar fundo e avançar.
    Lá fora está sol não é verdadde?

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